Clube Brasileiro de Trens Fantasmas: Drama sombrio "O Estranho Que Nós Amamos" estreia hoje nos cinemas

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Drama sombrio "O Estranho Que Nós Amamos" estreia hoje nos cinemas


Sinopse

Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).




Ficha Técnica

Título original: The Beguiled
País de origem: EUA
Ano: 2017
Gênero: Drama, Suspense
Elenco: Elle Fanning, Nicole Kidman, Colin Farrell, Kirsten Dunst, Angourie Rice.
Direção e roteiro: Sofia Coppola
Duração: 93 min
Classificação indicativa: 14 anos



Curiosidades

Sofia Coppola é conhecida por sua paleta de cor doce e pela fotografia mais lavada, mas a trilha sonora também é um dos seus fortes. The Strokes tocando em Maria Antonieta e Kanye West em The Bling Ring são, por certo, momentos marcantes em ambos os enredos. Para O Estranho que Nós Amamos, Sofia optou por algo mais clássico e bucólico. Os franceses do Phoenix (Sofia é casada com o vocalista Thomas Mars), então, desenvolveram todas as músicas do filme, para os momentos mais românticos e também os mais tensos.

Se você é daquelas pessoas bem observadoras, vai sacar logo nas primeiras cenas que a casa na qual se passa o filme é a mesma usada por Beyoncé em vários de seus clipes de Lemonade, incluindo Formation. Madewood Plantation House (nome oficial da casa sulista) é uma construção histórica e já serviu de set design para outras produções, como A Woman Called Moses (1978), de Paul Wendkos, e Sister, Sister (1982), de John Berry.

Para desenvolver as peças de roupa do filme, Sofia Coppola convidou a amiga de longa data e figurinista Stacey Battat, com quem já colaborou em A Very Murray Christmas, Bling Ring e Somewhere. Stacey, por sua vez, buscou nos arquivos do Metropolitan Museum sobre os tecidos, cores, comportamentos e outros detalhes de 1860 para criar as peças em tons pastel, com estampas florais e muita cintura marcada. “Usávamos o corset todos os dias. Ele muda sua postura, seu jeito de andar e até de falar. Porém, jamais nos vestíamos sozinhas, era impossível”, brinca Elle Fanning, em entrevista divulgada pelo filme. Mesmo com as cores tradicionais e os efeitos mais lavados, característicos de Sofia, Stacey encontrou uma forma de marcar a personalidade de cada uma das sete mulheres do filme. Alicia (Elle Fanning) é uma adolescente mais rebelde, então seus vestidos são mais coloridos, cheios de movimento e babados. Já Edwina (Kirsten Dunst) é a professora do internato, mais romântica e sonhadora, com roupas floridas e rendadas. A dona do local, Mrs. Martha (Nicole Kidman), é mais madura e firme, portanto suas vestes seguem a linha mais tradicional, em cores neutras e muito branco.

Baseado no romance homônimo de Thomas P. Cullinan, publicado em 1966, o filme de Coppola explora um lado ausente na narrativa do autor e também no filme de Don Siegel, de 1971. Isso porque a diretora, conhecida por seu ativismo em suas narrativas, optou por contar a história do ponto de vista das mulheres da casa e não do soldado ferido, interpretado por Colin Farrell. O discurso feminista é inteligente e está nas entrelinhas. Ele engana o espectador que, por consequências das construções sociais machistas, acaba caindo na linha de culpar as mulheres pelas coisas que acontecem durante o filme (nada de spoilers), quando na verdade deveríamos apoiá-las. Sofia é sutil, mas faz refletir sobre um assunto totalmente presente nas rodas de conversa de hoje em dia e quebra as pernas dos que estão assistindo, automaticamente fazendo refletir sobre o feminismo e/ou o machismo enraizado dentro de cada um. Simplesmente magnífico.

Em maio deste ano, quando O Estranho que Nós Amamos estreava no Festival de Cannes, o burburinho em torno do filme era enorme. As expectativas eram altas e já era de se esperar pelo menos algum prêmio para o longa. Sofia Coppola se mostrou absoluta e confirmou sua excelência como diretora, honrada com a Palma de Ouro de Melhor Direção. O marco foi maior ainda, porque Sofia foi a segunda mulher na história do festival a receber tal reconhecimento. Além dela, Nicole Kidman também foi condecorada com o prêmio de honra, por estar em três filmes e uma série presentes na semana de Cannes.

Das produções de Sofia Coppola, o único filme que teve um orçamento estrondoso foi Maria Antonieta, com aproximadamente 40 milhões de dólares. Os outros variam entre 5 e 10 milhões de dólares, normalmente valores de filmes independentes. Para O Estranho que Nós Amamos não foi diferente. Sofia tinha 10.4 milhões de dólares para dar vida a trama com um quê de suspense, gravada em 26 dias. Apenas como parâmetro, Mulher Maravilha teve um orçamento de 100 milhões de dólares, o maior destinado a uma diretora mulher na história de Hollywood. Mesmo que a estética de Sofia seja na linha dos longas independentes, é surpreendente o que ela é capaz de fazer com “pouco” dinheiro. Lembrando que Encontros e Desencontros custou apenas 4 milhões de dólares e rendeu de bilheteria mais de 40 milhões de dólares.



Confira o trailer:

 


Bônus

Elenco e produção falam sobre a história do filme:

 

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